a broxada

eu amo a minha vida.

conseguir rir das merdas que acontecem com a gente é uma coisa boa. dizem que isso mostra que estamos em paz com o que aconteceu. acho que faz sentido.

escrevo sobre minhas experiências, não sobre histórias que me fazem parecer o fodão.

esses dias eu tive a oportunidade de ter uma “segunda primeira vez” com uma ex-namorada que agora é atual de novo. estamos falando de quase 20 anos desde a última vez, por isso posso dizer que foi uma segunda primeira vez.

acontece que a noite tomou um rumo bem diferente daquele que eu imaginava.

me senti em um daqueles filmes de besteirol americano. me senti um idiota passando vergonha no quarto com a gostosa.

eu não sei o que aconteceu e já até marquei uma consulta médica para investigar.

a coisa mais patética foi que eu percebi que tinha alguma coisa estranha e eu não soube me adaptar. agora é fácil pensar no que eu poderia ter feito de diferente, mas na hora não veio nada na cabeça para me salvar.

em um determinado momento, parecia que o defunto iria acordar, mas foi um golpe. coloquei a camisinha e não consegui nem penetrar. ele já tinha ido embora de novo.

que vergonha!

o que passou pela minha cabeça nessa hora foi algo mais ou menos assim:

meu deus puta que pariu que vergonha caralho meu deus não acredito não é possível puta que pariu por quê? por quê? por quê? caralho.

eu acho que apaguei da minha memória o que aconteceu imediatamente depois disso, mas uma coisa que ficou na minha cabeça foi que ela foi extremamente compreensível. pense em tudo que uma pessoa poderia fazer para não piorar a situação: ela fez tudo isso e mais.

a vergonha não para aí.

eu tinha que achar explicações, né? eu tinha que ter excelentes motivos para justificar esse fiasco, esse vexame.

“eu ouvi um barulho lá do outro quarto e me desconcentrei”: péssimo e mentiroso. não ouvi porra nenhuma.

“eu pensei na minha esposa, me senti culpado”: convincente e verdadeiro, mas não acho que isso tenha relação com o ocorrido… vou marcar isso como um ponto de atenção e conversar com o médico: será que preciso de algum tipo de “treino mental” para entender que tá tudo certo ficar com outra mulher? que loucura, hein.

essa conversa aconteceu na mesa de jantar. depois da broxada fomos comer.

eu não conseguia nem olhar pra ela. eu não conseguia nem olhar pra ela!

vale lembrar que nós estávamos tendo uma noite perfeita até então. fomos para um show maravilhoso de uma banda que amamos, conversamos pra caralho - nós nunca calamos a boca, eu amo isso - nos beijamos, abraçamos, criamos memórias maravilhosas… depois do show, em casa, dei um presente muito especial, nos beijamos mais um pouco, e a parte do sexo pré-broxada foi sensacional, mas… aconteceu o que aconteceu. e eu deixei pensamentos como “fodeu, acabou tudo” dominarem a minha mente por um tempo.

mas só por um tempo.

há males que vêm para o bem. algumas coisas são bençãos disfarçadas. na mesa, com aquele clima meio esquisito, eu me libertei das últimas coisas que me prendiam. até aquele momento, eu ainda tinha vergonha de falar algumas coisas, ainda escondia ou sentia que precisava esconder sentimentos e informações sobre a minha vida que ela não sabia (afinal, são quase 20 anos sem contato, quem sou eu agora?).

“nada pode ser pior do que isso. foda-se.”

e ali foi decidido que eu falaria tudo.

não monogamia: outra versão sobre como tudo começou

já escrevi sobre como começamos com a não monogamia.

mas…

eu acredito que a josi se interessou por outra pessoa porque eu não estava sexualmente presente. eu acredito que chegamos na não monogamia por falta de sexo. durante esses 14 anos de relacionamento, nunca fomos máquinas do sexo, mas pelo menos fazíamos duas ou três vezes por semana, até que em algum momento era uma ou duas por mês, depois algumas vezes por ano…

dúvidas, incertezas, confusões, etc.

já me peguei pensando “será que sou assexual?”.

um dia a josi perguntou se eu queria te ver. eu disse que sim.

ela perguntou se eu queria te abraçar, eu disse que sim.

beijar? com certeza.

transar? não.

por que falei não? eu não entendo.

eu quero, mas não quero?!

libido baixa, ansiedade, medo, insegurança?

a josi acha que eu tô viajando e, no máximo, tem alguma coisa desregulada no meu corpo que precisa de ajuste. ela entende que nosso sexo sempre foi bom e a frequência nunca incomodou. ela entende que em alguns momentos do nosso relacionamento ficamos meio fodidos da cabeça e isso afetou a frequência, mas que é totalmente justificado e tá tudo certo.

ela não acha que eu sou assexual. e eu espero não ser.

depois do jantar

eu fui escovar os dentes e quando voltei você já estava dormindo. caralho, aquilo me matou.

sozinho e sem sono, fiquei na cama, do seu lado. eu e meus pensamentos. olhava um pouco para você, tão linda, dormindo… e desviava o olhar por vergonha.

eu queria sumir, eu queria entender, eu batia na minha cabeça, eu dava risada. e eu tossia pra caralho. nossa, que madrugada horrível. uma dor de garganta chata e essa tosse maldita.

levantei algumas vezes para tomar água, dei uma choradinha achando que já tinha te perdido de novo…

não dormi quase nada.

o dia seguinte

quando você acordou ficamos abraçados. tem alguma coisa muito especial no seu bom dia. eu fiquei em paz. eu tive até coragem de perguntar se você ainda queria ficar comigo. eu sou muito besta.

eu pensava “vamos tentar de novo?” e logo concluía: “melhor não”.

infelizmente, precisávamos ir embora, eu tinha que te deixar na sua casa antes das 9h. mas aqueles minutinhos abraçados na cama, aqueles minutinhos fumando na janela, e aqueles segundos no sofá antes de ir embora me fizeram bem.

40 minutos até a sua casa. infelizmente gastamos um pouco desse tempo quietos. eu ainda estava um pouco chateado e estava difícil me soltar. mas, lembramos que quando estamos juntos nós não calamos a boca, e tivemos mais uma conversa importante no carro.

depois de anos (no plural!) negligenciando minha saúde, resolvi acordar para a vida porque você voltou para a minha vida. eu sempre achei isso uma baita sacanagem com a josi. mas, como você disse: pegue a motivação que for, se é isso que vai fazer as mudanças acontecerem, então é isso que você vai usar.

no final, nós três nos beneficiaremos com isso.

tireoide, espinhas, libido baixa, emagrecimento, terapia… vou me cuidar.

você me contou coisas extremamente importantes sobre a sua vida e seu passado recente. você me fez enxergar muita coisa.

embora eu tenha voltado para a casa chorando, eu agradeço por ter vivido esse dia.

romantizei o pau mole. 😁